sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Pavilhão russo

Outra boa opção para ver com lentes compradas em qualquer ótica do Brasil era o pavilhão russo da Bienal de Veneza. Na verdade como já aconteceu, vale a pena recorrer aesta metáfora arquitetônica sobre o passado da Rússia e seu futuro como uma cidade digital. O tema escolhido para este ano pelo curador geral, para toda a Bienal foi "Common ground", um modo de pensar sobre a relação entre arquitetura e sociedade. O espaço da Rússia era uma espécie de catedral feita de códigos QR (resposta rápida). Estes são os módulos que armazenam informações em uma matriz de pontos ou um código de barras bidimensional, o público tinha que decodificar esses códigos com o telefone ou com qualquer iPad que estavam disponíveis – não é muito dizer que as filas eram enormes. O pavilhão se dividiu em dois setores: i-city e i-land. O primeiro consistiu em três quartos cobertos com códigos QR, que abrigava informação sobre "Skolkovo", uma espécie de versão russa do Vale do Silício. Skolkovo é uma cidade na periferia de Moscou que já reúne 500 empresas dedicadas à tecnologia da informação e investigação biomédica, nuclear, energética e espacial. Além disso, vai ter uma universidade e um conjunto de residências. Por outro lado, no andar térreo foi instalado o i-land, espaço que proporcionou uma reflexão sobre o passado soviético e o trabalho científico russo na Guerra Fria, época em que foram criadas muitas cidades secretas e que funcionam como centros de pesquisa científica. Cabe lembrar que durante a Guerra Fria, os russos foram os primeiros a explorar o espaço. A sala i-land, grande e escura, deixava entrar, no entanto, raios de luz através de buracos que se multiplicavam no chão simulando o espaço. Quando o espectador se aproximava às estrelas, podia ver fotos dessas cidades. Este pavilhão foi um convite a refletir sobre como o mundo está mudando em um ritmo acelerado e como as disciplinas criativas devem acompanhar o ritmo dessas mudanças.